Porque o primeiro amor é sempre um amor amigo

Primeiro AmorO primeiro amor a gente nunca esquece, mesmo que não tenha vivido…que é o meu caso…

O ano era 1994, tinha acabado de começar as aulas da 4ª série, eu tinha 10 anos, e aquela coisa de ver os alunos que iriam estudar com você, se tinha algum menino legal… ei que surge um garoto, Washington, nem dei bola, ele era um aluno novo (que não estava na escola desde a 1ª série).

Me lembro pouco de como foi o meu contato com ele antes de termos uma amizade, acredito que nem existia, mas então, um dia eu estava passando pela a rua que ele morava (que era caminho da minha casa) e ele me parou na rua e disse:

-Oi! Eu estudo com você! Tudo bem?

-Oi! Verdade! Seu nome é Washington, né? Você é novo na escola, né?

-Sim! Vim de Goiás, estou morando nesse prédio (aponta o prédio). E você, onde mora?

-Eu moro duas ruas para frente, na rua da feira. Você mora no prédio da Júlia, eca! (Essa menina era mimada, chata e brigava com todo mundo).

-Verdade! Ela é filha do zelador. Essa é a minha cachorrinha, o nome dela é Kelly! (rimos um pouco sobre o nome dela, porque na nossa sala tinha uma menina chamada Kelly).

Depois deste pequeno diálogo, passamos a voltar para casa juntos. Quando chovia, ele pedia carona no meu guarda-chuva. Sabe quando percebi que eu sentia algo diferente por ele? Quando ele faltou e eu fiquei a tarde toda triste e quando deu o sinal para irmos para casa, lá estava ele no pátio da escola, sorridente 😀 …Meu coração quase saiu pela boca e quando cheguei em casa escrevi no diário: “Querido Diário! Hoje o meu dia na escola foi triste, mas no final, o sol brilhou…” não me recordo do restante, mas gravei que chamei o sorriso dele de sol.

Sabe a Kelly? Que a gente riu por ter o mesmo nome da cachorrinha dele? Pois é, ela se tornou uma grande amiga e, por uma infelicidade do destino, também se apaixonou por ele, e como eu gostava muito dos dois e achava que faziam um lindo casal, eu tirei meu time de campo, me afastei dele e dela…e vivi meu amor à distância! Mas antes disso, eu deixei claro o que eu sentia por ele, e numa dessas voltas para casa, no meio da rua eu disse:

-Washington! (e comecei a cantar) “…O que eu quero é o seu amor, não apenas amizade, o seu calor. Quero ser o seu amor, não apenas sua amiga, vai ser tão bom!…”

Estava bem na portaria do prédio dele…eu fui embora e não me recordo se ele falou algo sobre isso, mas lembro que essa foi a última vez que falei com ele, porque a Kelly não desgrudava dele, então eu perdi de uma vez só: um amigo e uma amiga…kkkkkkk… Não doeu muito, porque eu ainda era nova, sabia que isso tinha sido meu primeiro amor e que logo eu viveria outro, mas foi e sempre será algo muito especial pra mim!

Essa foi a música que cante para ele: Amor Amigo – Sampa Crew

Por Cinthia Almeida

O enredo do nosso encontro

Cinthia Almeida e Raquel GonzagaEm 1995, eu começava uma nova etapa da minha vida: a 5ª série! Tudo ia ser diferente na escola, pelo menos na minha. Eu ia escrever de caneta, ia ter um caderno de 10 matérias, ter várias matérias, e claro, vários professores.

No Caetano de Campos Consolação (minha escola), nessa época, não tinha separação de nível escolar, eu estava lá desde a 1ª série, então, ir para a 5ª série era o mesmo que “crescer um pouco mais”! #TchauPrimário #OláEnsinoFundamental …A gente se sentia mais maduro, sei lá, era diferente.

Nesse mesmo ano, tive o prazer de fazer duas amizades realmente novas, elas não vinham de outras séries, elas vinham de outras escolas, outras cidades, enfim, de outra realidade, eram: Tatiana e Raquel.

A Tatiana ficou na escola até terminar o Ensino Médio, mas a Raquel não! Não me recordo ao certo quanto tempo ela ficou, mas foram só alguns meses. A minha amizade com a Raquel ultrapassou os muros da escola e foi para a vida pessoal. Ambas frequentavam a casa uma da outra, íamos de sábado à Biblioteca Monteiro Lobato (centro de SP) para fazer trabalho, era muito legal e claro, foi muito especial, marcou! ❤

Como não podia deixar de ser, nossa história tem uma “trilha história”, naquele ano, a escola resolveu fazer um concurso de dança entre as salas, e a nossa sala escolheu o Samba Enredo da Gaviões da Fiel como música para competir.

Cinthia Almeida e Raquel GonzagaNão me recordo dos ensaios, quase não lembro das outras meninas passando a coreografia, mas me recordo do dia da apresentação. Eu e ela estávamos lindas #SQN …rsrsrs =D Sei que a gente ganhou o concurso, tenho a medalha guardada até hoje.

Mas se a Raquel foi embora meses depois, a amizade acabou? 😦 Nãoooooo!!! Trocamos cartas até 1998, quando eu me mudei de endereço e perdemos contato. Depois disso nunca mais soube notícias dela, mas nunca deixei de pensar nela! Até que inventaram o Facebook, e num domingo de bobeira, resolvi jogar o nome completo dela e lá estava ela! Nem acreditei! :O Isso foi em 2011!

Cartas Raquel Gonzaga

Cinthia Almeida e Raquel GonzagaNos reencontramos e matamos a saudade! Falamos mais que matracas, contamos as novidades, os perrengues, os amores, desamores e claro, as conquistas! Hoje, no ano de 2015 estamos completando 20 anos de muito amor, cheias de tantas páginas no nosso livro da vida, ela está prestes a conquistar o sonho da casa própria, eu estou com um pé na carreira docente, muito choro e muito riso, essa foi a receita das nossas histórias e com certeza, será a receita das nossas vitórias!!!! #TeAmoAmiga

Não poderia faltar a nossa música, né? Samba Enredo da Gaviões da Fiel – Carnaval 1995

 

Um dia na 6ª série

 

sala-aula-aluno

Era uma vez, em 1996, na sala de aula da escola Caetano de Campos, eu na 6ª série… Esse ano foi muito mágico para mim, eu poderia escolher várias músicas que minha história registrou. Foi o ano de duas grandes perdas na música: Mamonas Assassinas e Renato Russo. Eu particularmente tive a minha grande perda: meu primeiro amor foi embora no auge do nosso namoro.

Comecei a namorar em março de 1996 e 4 meses depois, por uma questão de classe social, ele era classe média (na Bahia) e eu era pobre (no centro de São Paulo), ele foi embora para Salvador. A mãe dele achou que eu teria filhos (eu só tinha 12 anos e ele 16) e decidiu que seria melhor separar o casal. Por mais que achem que ter 12 anos era ser nova demais para namorar, minha mãe não achou ao dar a permissão para ele. Sim! Ele me pediu em namoro para a minha mãe e a gente ficava em casa, casal mimimi tradicional.

legiao urbanaSei que ele se foi e 1996 foi o único ano Dark da minha vida, até de recuperação eu fiquei (sempre fechei as notas em novembro). Então, um dia eu estava entrando na sala para falar com alguém que agora não me recordo e antes de sair, algo escrito na carteira me chamou atenção, parei, sentei e comecei a ler: “…É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, a verdade não há! Sou uma gota d’água, sou um grão de areia, você me diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais…”

Escrever nas carteiras é e sempre será mania de adolescente…rsrsrsrs… ainda bem! Mas quando li essas palavras eu falei: Nossa, que forte! A pessoa estava inspirada! – Esse alguém que não me recordo quem era (…..o ano de 1996 eu deletei da mente porque a dor da partida do meu primeiro amor foi imensa, então só tenho fragmentos….), me disse: Isso é Legião Urbana! O cara morreu esse ano. O Renato Russo morreu, acho que foi por isso que escreveram! Eu olhei e exclamei: Legião Urbana! Renato Russo! Quem? Não sei do que você está falando. A única morte que fiquei sabendo foi do grupo Mamonas Assassinas…

E assim essa música entrou na minha vida, assim Legião e Renato entraram na minha vida, no ano que ele nos deixava e no momento em que eu mais precisava entender a vida, que claro, estava só começando, mas sabemos como são os adolescentes: Era o fim do mundo pra mim!!!

E a Trilha da minha história foi: Pais e Filhos – Legião Urbana

Cada rosto é um espelho de um desejo de ser de Deus

183458_3208518950467_996792475_nA gente nunca imagina que uma música poderia marcar dois fatos de forma especial. Na verdade, a busca por uma música que marcou um momento em minha vida, fez com que outro momento nascesse e ganhasse a mesma trilha sonora.

Minha formatura da pré escola foi em 1990, e assim como foi com o meu irmão, tínhamos que ensaiar uma música para cantar para os pais. Eu ensaie e cantei a música no final do ano de 1990 só que, eu não me lembrava da música quando fiquei jovem.

Eu vivia cantarolando, porque eu queria ter comigo a recordação. Minha mãe só sabia me dizer que era do Fábio Jr, não lembrava de nenhuma parte da música.

Por conta dessa falta de lembrança, em 2001, eu conheci duas amigas (Queila e Nayana), estávamos no 3º ano do colegial e eu contava sempre essa história para as pessoas, que eu buscava essa música. Como elas eram fãs do Fábia Jr, um dia eu cantarolei a música, só lembrava da palavra cidade e o ritmo do refrão, e elas identificaram a música, e com isso começamos uma caça ao tesouro!

Uma vez, fomos passear no shopping Paulista e entramos numa loja de CDs, que tinha um setor de CDs antigos, onde provavelmente poderia ter alguma coisa, já que a música era classificada como anos 80 e só conseguiríamos achar algo em CDs antigos ou coletâneas.

Mexendo aqui, mexendo ali, vimos um CD de grandes sucessos e a música estava lá: Vida. Esse era o nome da música! As meninas só sabiam cantar a música, e quando vimos o nome Vida, pedimos para o rapaz tocar o CD porque poderia ser a música, e para a nossa felicidade, ERA! =D

Nós três fazíamos parte de famílias humildes e mesmo custando R$ 20,00, para nós, era como se custasse R$ 100,00, era muito caro. Eu disse que estava tudo bem, que pelo menos agora eu já sabia o nome da música e poderia comprar assim que tivesse uma graninha sobrando.fabiajr

Estávamos no 3º ano, era o fim do vida escolar, mas como não tínhamos grana, a sala decidiu que não ia ter formatura, nem viagens ou coisas do tipo. Faríamos um amigo secreto simbólico, com presentes baratinhos.

A festinha aconteceu num bar do bairro e quando todos os presentes foram dados, a gente entregou o presente do “nosso amigo secreto entre amigas”, cada uma ia ganhar um presente que a dupla compraria junta.

E o meu presente dado pela Queila e pela Nayana foi o CD do Fábio Jr, com a música Vida, e é por isso que essa música marca dois momentos especiais, já que a Nayana foi embora nesse mesmo ano, voltou para o nordeste, sua terra natal e com isso o trio se quebrou, sobrando apenas a dupla, Queila e eu.

Para que a lembrança fique eternizada hoje e sempre, segue a música que tanto busquei: Vida

 

 

 

Formatura do meu irmão

monica e cebolinha na formaturaEm 1989, meu irmão (Cesar) se preparava para se formar no pré, e para formalizar a “graduação”, a creche escolheu uma música para as crianças cantarem para os pais.

Todos os dias a sala do meu irmão ensaiava a música, e eu muito apegada ao meu irmão, ficava ouvindo da minha sala e cantando com eles.

As “tias” da creche não entendiam esse apego, algumas vezes eu chorava chamando por ele, e elas levavam ele pra ficar um pouco comigo. Eu gostava de fazer tudo que ele fazia, inclusive cantar a música que era para a formatura dele.

Eu tinha 5 anos, ia fazer 6 e ele tinha 6 e ia fazer 7. Naquela época tinha uma divisão de idades para entrar na escola, quem fazia aniversário até junho entrava com 6 anos na 1ª série, e os demais entravam com 7 anos.

Como sabemos, essa lembrança só existe viva na minha mente porque tem uma música, e claro, é a música que meu irmão ensaiava para cantar. Acredito que você espera ouvir Xuxa ou alguma música infantil dos anos 80, né?

Mas não foi! Nossa infância teve muitas referências infantis, graças ao bom Deus, porque, na minha visão, as crianças “geração 2000” tem quase nada do universo imaginário e fantasioso da infância.

Não sei qual foi a razão para a escolha da música, pode ser o contexto histórico da década de 80, que veio para dar uma “folga” ao povo que vinha de duas décadas super movimentadas (60 e 70), pode ter sido por N motivos, o mais importante é saber que guardei essa música na mente desde pequena e hoje ela é tão representativa para mim, que me sinto sortuda por ter “bebido” de muita cultura na infância!

Se você não clicou no vídeo antes de ler, a música é: Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré/1968) , que em 1989 era só uma música para mim, uma música que eu queria cantar com o meu irmão. E hoje sabemos que ela não é só isso. Ela é um marco que representa muito para a história do nosso país.

Música: Pra não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré/1968)

 

Dia de levar um Disco (LP) pra creche!

RPM+Campa+do+disco+ao+vivo+Radio+PirataQuando eu nasci, passei a ser o segundo ser que habitava os corações dos meus pais…rsrsrs…meu irmão, Cesar, chegou primeiro. E com 5 meses de nascida, minha mãe me colocou na creche, pois ela precisava trabalhar, assim como o meu pai.

Lembro de poucas coisas dessa época, fiquei na mesma creche até os 7 anos. De manhã ia para a escola (1ª série) e a tarde para a creche, que agora era como uma escolinha complementar. Uma das coisas que lembro, como vocês já sabem, tem uma música, ou melhor um LP (disco) envolvido…rsrs

Eu tinha 6 anos e a “tia” Gerda (minha tia do pré) pediu para uma menina trazer o disco do Leandro e Leonardo para a gente escutar durante a aula.Leandro e Leonardo

Eu sempre fui uma pessoa que gostava de interagir com os demais e quis também levar um LP, mas como ela não pediu para mim, eu não podia simplesmente levar.

Quando eu cheguei em casa, eu disse: Mãe! Amanhã é dia de levar um LP para a creche. Posso levar um também? Ela: Mas qual você quer levar? O da Xuxa? Eu: Não mãe! Eu quero o LP do RPM (imagem do post). Ela: Tudo bem, pode levar!

No dia seguinte, eu chego com o LP nas mãos e minha mãe diz para a tia: Hoje é o dia de trazer LP, né? A tia olhou pra mim com aquela cara de: É mesmo, Cinthia? E logo olhou para a minha mãe e disse: É sim! =)

Ouvimos as músicas do LP do Leandro e Leonardo, que eu amo diga-se de passagem, e depois dançamos ao som de RPM e o “Olhar 43” – “Rádio Pirata” – “Loira Gelada” e muito mais…De todas, a minha favorita é Rádio Pirata!!!

No toca-fita do meu carro…

Cantor brega, que fez muito sucesso nas décadas de 70 e 80.

Cantor brega, que fez muito sucesso nas décadas 70/80.

Minha infância foi “normal” até os meus 6 anos. Em 1990, meus pais se separaram e ele (meu pai) saiu de casa, deixando apenas as poucas lembranças que eu e meu irmão tínhamos dele. Como já sabemos, a memória infantil é uma coisa difícil de ser resgatada, pois, na infância, estamos no caminho do entendimento da vida, logo, não guardamos tantas coisas, porque não temos a percepção da vida em si. Eu lembro dos meus aniversários, dos passeios e dos castigos…rsrsrsrs…Mas, em meio a tanto esquecimento, tem uma lembrança que eu guardo com muito carinho.

Meu pai adorava ouvir os LPs na radiola (objeto que lê os discos de vinil), aliás, ele levou a radiola com ele, e os discos também. Só ficamos com os infantis (Xuxa, Balão Mágico, Menudos e afins) e minha mãe ficou com os LPs das novelas. E quando ele começava a ouvir, sentávamos (meu irmão e eu) do lado dele e curtíamos juntos, todas as músicas que ele adorava.

De todos os LPs dele, tinha um que era do Bârto Galeno (cantor brega que fazia muito sucesso nos anos 70 e 80). Eu ficava olhando a capa do LP (que ilustra esse post) e ouvindo. Só me recordo de uma única música deste LP, pois, meu pai repetia várias vezes…rsrsrs

Hoje, tenho essa música como a lembrança mais gostosa que tenho do tempo que convivi com o meu PAI!

“No toca-fita do meu carro, uma canção me faz lembrar você…”